inovação na EDP

Aumentar a flexibilidade da energia hidroelétrica

Converter energia solar em eletricidade através da tecnologia fotovoltaica é um processo cada vez mais barato e mais eficiente. Portugal tem um dos níveis de recurso solar mais alto dos países europeus, mas utilizá-lo pressupõe ocupar áreas geográficas muito significativas.

Utilizar a albufeira dos aproveitamentos hidroelétricos é uma oportunidade: evita-se a ocupação de outras áreas em terra, úteis para outras atividades, como a agricultura ou pastorícia, e pode aproveitar-se a ligação à rede elétrica já instalada que as centrais hidroelétricas não utilizam de forma constante. Porque há mais sol quando há menos chuva e vice-versa.

Reconhecendo este contexto e esta oportunidade, a EDP inaugurou, em 2017, uma central solar fotovoltaica flutuante na albufeira do rio Rabagão, em Montalegre, e começou a construção do parque solar flutuante da EDP no Alqueva, que se espera produzir energia já no final deste ano e abastecer o equivalente a 25% das famílias da região.

Alqueva

O projeto Fotovoltaico Flutuante do Alqueva é um dos mais inovadores projetos de energia solar da EDP: um parque flutuante com mais de 11 mil painéis fotovoltaicos na albufeira da barragem do Alqueva. Preve-se a sua instalação no verão de 2021, de modo a que no final do ano, já possa estar a produzir energia. Com uma capacidade de produção anual de 7GWh, a expetativa é que venha a abastecer o equivalente a 25% dos consumidores da região (Portel e Moura). 

Alqueva irá assim tornar-se numa espécie de laboratório vivo, ao permitir que se teste a complementaridade entre tecnologias de produção de energia renovável despachável (hidroelétrica) e não despachável (fotovoltaica), assim como tecnologias de armazenamento de energia de longa duração (bombagem) e de curta duração (bateria). Com uma potência de 1MW e capacidade de armazenamento de cerca de 2MWh, a bateria irá recorrer à tecnologia de iões de lítio, já amplamente utilizada no setor elétrico a nível global. O sistema de bombagem permite utilizar a energia eólica e solar, em períodos de menor consumo, para bombear a água da albufeira e, dessa forma, reutilizá-la para produzir nova energia hidroelétrica, aumentando a flexibilização da energia renovável.

O foco na sustentabilidade

Uma preocupação passou por se criar um flutuador mais sustentável para os mais de 11 mil painéis e 25 mil flutuadores que compõem a estrutura do futuro parque solar flutuante na albufeira do Alqueva. Assim, após um intenso trabalho de colaboração com a Corticeira Amorim e o fabricante espanhol Isigenere, ao longo de mais de 12 meses, foi possível desenvolver um material inovador, tendo por base um novo compósito de cortiça, e que será testado pela primeira vez num projeto de produção de energia renovável.

O novo projeto de solar flutuante da EDP está alinhado com alterações regulatórias em curso em Portugal que abrem a porta à existência de leilões de solar fotovoltaico e à hibridização, a combinação de energia de várias fontes renováveis com energia de centrais convencionais.

Na solução de Alqueva será acrescentada uma segunda plataforma onde ficará um contentor de 20 pés (sensivelmente 12 metros) que terá um Transformador e celas de Média Tensão, com o intuito de diminuir as perdas. A tecnologia utilizada é a Seaflex, e estarão vários projetos de inovação em fase de implementação, como o Fresher e o XFLEXHydro.

    Parque solar flutuante do Alqueva em números

    • Nº de painéis: 12.000
    • Dimensões da plataforma: 4 ha
    • Potência Instalada: 4 MW
    • Produção de energia anual: 7 GWh (~25% das famílias da região)
    • Profundidade da albufeira: 70 m
    • Oscilação do plano de água: 23 m

    Alto Rabagão

    Projeto pioneiro a nível europeu, a central solar fotovoltaica flutuante, na albufeira do rio Rabagão, em Montalegre, testa a complementaridade entre a energia solar e a hídrica, bem como as vantagens ambientais e económicas desta nova tecnologia.

    Com 840 painéis solares que ocupam uma área de 2500 m2, a plataforma, que resulta de uma parceria entre a EDP Produção, a EDP Renováveis e a EDP Comercial, tem uma potência instalada de aproximadamente 220 kWp e uma produção anual estimada de cerca de 300 MWh.

    Os estudos para avançar com esta central foram iniciados em 2015 e a construção, que envolveu 13 fornecedores (a maioria portugueses) e que abrangeu, no pico da obra, 25 trabalhadores, arrancou em junho de 2016.

    A EDP investiu 450.000 euros para avançar com a instalação desta unidade piloto, que permitirá conhecer as implicações, vantagens e desvantagens da instalação em plataformas flutuantes dos painéis de conversão fotovoltaica e da sua exploração em conjunto com a produção hidroelétrica. Pretende-se ainda comprovar que esta solução tem claros benefícios ambientais na massa de água e porque reaproveita instalações existentes, evitando a construção de novas linhas de transporte.

    A albufeira do Alto Rabagão foi escolhida por ter espaço e condições climatéricas adversas que permitem testar a tecnologia em condições extremas. Tem ainda um vale profundo com solo rochoso e significativas variações de cotas, o que permitiu testar as soluções de amarração.