partilha do conhecimento

Criado em 2015, o NEW – Centre for New Energy Technologies continua apostado em antecipar tendências e criar valor para a EDP. Com o foco na criação de novos produtos que permitam descarbonizar o setor da energia, o centro de investigação e desenvolvimento que é formado por mais de 50 pessoas dedicadas à investigação, continua a crescer e já colocou 22 projetos em marcha.

É no NEW, centro de investigação que se encontra situado na Labelec, que todos os dias cerca de 20 pessoas se dedicam a inventar o futuro da energia, com vista à descarbonização. O centro de investigação e desenvolvimento do Grupo EDP cresceu e em cinco anos já colocou 22 projetos em marcha, num orçamento global de 280 milhões de euros. 

João Maciel, diretor do NEW, fala de “cinco anos intensos” e de “estreita colaboração com as Unidades de Negócio”. Para o ‘maestro’ do centro de investigação, o segredo para uma taxa de sucesso média de 30% nas candidaturas a financiamentos competitivos da União Europeia (três vezes mais que a média neste tipo de incentivos) está em “não fazer nada que não envolva, pelo menos, uma unidade de negócio do Grupo EDP”.
 

“As Unidades de Negócio [da EDP] normalmente são parceiras nos projetos ou são nossas third parties, que é uma espécie de parceiro associado. O nosso papel enquanto centro de I&D também é antecipar tendências e criar opções”.
João Maciel, diretor do New R&D
 

A importância dos 3 D’s

Os temas da Sustentabilidade e da Descarbonização vão continuar a marcar a forma como se aborda a investigação internamente. João Maciel aponta várias tendências para o setor energético.

“Há um foco nos 3 D’s. O da Descarbonização, porque toda a gente conclui que é impossível continuar no ritmo em que estamos e a emitir o carbono que estamos a emitir e, por isso, temos de produzir mais limpo e mais eficiente do ponto de vista do carbono. É aqui que entram as Renováveis e a mitigação dos problemas ambientais associados à geração convencional, o aumento da flexibilidade da geração convencional hídrica e tudo aquilo que ponha mais Renováveis no pacote de produção”, explica.

Além deste, aponta o D da Distribuição já que, segundo o diretor do NEW, importa alavancar tudo o que tem a ver com produção distribuída. "As comunidades energéticas – suportadas pela micro-produção fotovoltaica, pelo armazenamento de energia e pela gestão da flexibilidade dos clientes, por exemplo, são um tema em que vimos trabalhando muito.” Além destes, o Digital, que é uma força transversal a tudo: sensorização e IoT, automação, computação avançada, machine learning ou inteligência artificial. "Todas estas coisas estão aí e cada vez mais desenvolvidas, com mais força de investigação, e o truque aqui é usar isso em benefício dos ativos energéticos (redes, centrais renováveis, etc.) para aumentar a eficiência, para melhorarmos a operação e manutenção, para conseguirmos prever falhas. Estamos a falar de inteligência sobre os dados que os nossos ativos estão a gerar”, acrescenta.

Por fim, garante que o foco continuará a estar também no C de Cliente ou no D de Democratização, com o cliente no centro de todas as decisões e como elemento central dos projetos de investigação desenvolvidos. “O Clean Energy Package, da União Europeia, consagra esta questão do cliente como um ator do mercado energético. Isto não quer dizer que o cliente, nomeadamente aquele que tem microprodução ou “cargas geríveis” vá entrar diretamente no mercado da energia, mas que existirão “camadas” de agregação que depois irão permitir levar a minha energia e a dos meus vizinhos a mercados de energia, remunerando-nos pela flexibilidade que aportamos ao sistema. O nosso papel é sermos gestores, ou agregadores, dessa comunidade. É um papel novo para a EDP, mas é uma coisa que estamos a explorar”, conclui.  
 

Aumentar a eficiência das renováveis

Com 15 projetos em curso, a que se juntam dois a iniciar-se e cinco já concluídos, o NEW tem já muito conhecimento para partilhar.
Com a equipa e os projetos a crescer, o NEW atua nas cinco áreas de inovação do Grupo EDP: Redes Inteligentes e Interoperabilidade; Comunidades Energéticas Positivas; Integração de Renováveis e Flexibilidade; Tecnologia de Renováveis e Energia Digital. 

A área de Tecnologias de Renováveis conta neste momento com seis projetos em curso em áreas mais exploradas, como a energia eólica e a energia solar, mas também em áreas emergentes como a energia dos oceanos. 

Miguel Marques, responsável por esta área de investigação, admite que as Renováveis são fulcrais na descarbonização, pelo que aumentar a quantidade e eficiência da sua produção é essencial para as tornar mais competitivas e atrativas para investimento. 
 

“O que estamos a fazer é a ajudar a tornar as renováveis mais úteis para a empresa. Por um lado, olhamos para tecnologias que estão um pouco mais maduras, como a eólica, e arranjamos formas de melhorar a sua performance e a sua utilidade”.
Miguel Marques, Responsável pela área Tecnologias de Renováveis
 

Aqui estão incluídos, por exemplo, conceitos novos de operação e manutenção dos ativos, das turbinas e das plataformas offshore com robôs submarinos e drones. “Melhorando, automatizando e tornando a inspeção mais barata, também diminuímos os custos da tecnologia final. Além disso, reduzimos riscos e aumentamos a fiabilidade dos dados que recebemos. Por outro lado, olhamos para tecnologias novas para perceber se têm algum interesse, sobretudo em termos de custos. A energia dos oceanos, por exemplo, tem um potencial tremendo, mas ainda não foi totalmente explorada”, refere Miguel Marques.

É precisamente para melhorar a performance de tecnologias maduras como a eólica que nasce o Atlantis, um projeto com uma duração de três anos que pretende fomentar novas tecnologias de inspeção para eólica offshore através da criação de um centro de testes no Oceano Atlântico onde a ondulação é muito severa.

Um outro exemplo do que a EDP faz nesta área é o EUSysFlex, projeto que tem como grande missão criar um roadmap para que a Europa possa ter 50% de penetração de Renováveis na produção com recurso a várias tecnologias. 

Flexibilidade, flexibilidade, flexibilidade… 

Flexibilidade está na ordem do dia. Nuno Filipe, responsável pela área de Integração de Renováveis e Flexibilidade, refere que o que se pretende com o XFLEX HYDRO é testar novas formas de conferir flexibilidade adicional às hídricas, aumentando o potencial hídrico em termos de eficiência da instalação, disponibilidade e fornecimento de serviços de flexibilidade para o Sistema Elétrico.
 

“Atualmente, as hídricas já têm um papel muito importante para a estabilidade do sistema e com o XFLEX HYDRO o que pretendemos é, através de um investimento baixo, conferir-lhes flexibilidade adicional. Isto tudo sempre com o objetivo de integrar mais renováveis”.
Nuno Filipe, Responsável pela área de Integração de Renováveis e Flexibilidade
 

Hidrogénio “verde”

Mais recentemente, a EDP anunciou a aposta no hidrogénio ‘verde’, uma peça muito importante no puzzle da descarbonização.

Os objetivos da União Europeia são claros: temos de descarbonizar o sistema energético. A EDP está na linha da frente na promoção da descarbonização da geração, e as metas estão bem definidas. No entanto, o sistema energético é bastante complexo. “A produção de eletricidade representa apenas cerca de 20% do desafio e é preciso descarbonizar tudo o resto, como os transportes e a indústria. O hidrogénio surge aqui como uma nova forma de energia que poderá permitir a descarbonização de todos esses setores." Neste âmbito, um dos projetos a arrancar é o FlexnConfu e o principal objetivo é ganhar experiência no hidrogénio. 

A este projeto soma-se ainda o BEHYOND, co-desenvolvido com a EDP Inovação, que resulta de uma parceria entre a Noruega e Portugal, e em que será feito um estudo de viabilidade da produção de hidrogénio offshore, acoplando aos parques offshore a produção de hidrogénio. 

Redes mais inteligentes

Já na área de Redes Inteligentes e Interoperabilidade estão a nascer conceitos transversais a todos os projetos desenvolvidos pelo NEW. O objetivo passa por pôr todos os dispositivos a comunicar com os dispositivos que estão na sua vizinhança. 

Um desses exemplos é o projeto DOMINOES, que vai testar o conceito da transação de energia entre diferentes atores residenciais domésticos. O projeto vai ser implementado em Valverde, Évora, no qual vizinhos poderão transacionar energia entre si, fazer a utilização dessa flexibilidade ao longo do dia não só para benefício próprio, mas também da comunidade e da rede elétrica. Assim, podemos garantir que se uma pessoa tiver excesso de energia, pode ter um meio de guardar essa energia para o vizinho. 
 

“A grande vantagem desta área é que pretende olhar não só para a parte da energia, que nos diz respeito, mas também para toda uma panóplia de situações que nos poderão interessar no futuro, nomeadamente ter dispositivos a falarem diretamente com o mercado e que podem vender serviços do seu dono no mercado”.
Manuel Pio, Responsável  da Área de Redes Inteligentes e Interoperabilidade
 

Cidades e comunidades mais sustentáveis

Atualmente, as cidades, embora representando apenas 2% da superfície do planeta, são responsáveis por cerca de 60% do consumo mundial de energia e por 70% das emissões de gases com efeito de estufa e da geração de resíduos. Atendendo ao aumento de centros urbanos densamente habitados, as cidades terão um papel fulcral no caminho para um futuro mais sustentável e inclusivo.
 

“A inovação urbana, da qual o vetor energético é pedra angular, é o veículo que permitirá atingir esse futuro”.
José Campos Costa, responsável pela área de Comunidades Energeticamente Positivas. 
 

O NEW R&D posiciona-se no centro desta inovação através da coordenação de projetos como o POCITYF, que conta com um orçamento total de 22,5 milhões de euros. É a primeira coordenação por parte de uma entidade portuguesa de um projeto desta natureza [cidades inteligentes].

Garantir a previsibilidade das Renováveis

Na área do digital, esta equipa está a desenvolver modelos de próxima geração que permitam à empresa fazer previsões com recurso a ferramentas como analítica de dados e machine learning. Um dos projetos, o Smart4RES, quer criar ferramentas que possibilitem fazer previsões de curto prazo e de precisão elevada da potência de saída de parques de fontes de energia Renováveis.

Aqui o NEW contribuirá com a criação de técnicas de previsão com base em desenvolvimento de modelos de previsão para horizontes de previsão extremamente curtos, para apontar a uma melhoria de previsões de produção de energia renovável até 20%. Este projeto pretende trazer mais ferramentas de analítica de dados e machine learning para as previsões das renováveis.

“Estamos a falar de uma abordagem inclusiva por englobar conhecimento de meteorologia, física, matemática aplicada, ciência de dados e sistemas de potência”.
Luísa Serra, investigadora desta área
 

Obrigado Horizonte 2020… Olá Horizonte Europa!

Nada do que aqui se referiu seria possível sem o importante apoio do maior programa mundial de financiamento para investigação e desenvolvimento: o Programa Horizonte 2020, da União Europeia. O H2020, entre 2014 e 2020, distribuiu cerca de 80.000 milhões de Euros para todas as áreas do saber, na Europa. O NEW encontrou neste programa a sua maior fonte de financiamento, já que 20 dos seus 22 projetos são apoiados por esta iniciativa, atraindo ao longo de cinco anos, cerca de 30 milhões de Euros para I&D.

No final de 2020, termina o H2020 e arranca o novo Programa Quadro: o Horizonte Europa. A filosofia é a mesma, havendo, contudo, um robustecimento do Programa – orçamento passa a cerca de 100.000 milhões de euros para um igual período de 7 anos – e algumas novidades. 

O NEW continuará a trabalhar no sentido de alavancar os fundos do Horizonte Europa, apoiando a EDP na liderança da transição energética.
 

“O NEW tem tido um papel importantíssimo na identificação de oportunidades de financiamento no âmbito de projetos de inovação, como é o caso do H2020. Centraliza no grupo EDP a gestão destes projetos e tem um papel fundamental na criação de sinergias, permitindo à EDP Produção, e outras Unidades de Negócio, alavancar a sua participação em projetos extremamente desafiantes, permitindo-nos ao mesmo tempo manter uma estrutura de recursos muito aligeirada e sem redundâncias.”
Miguel Patena, Diretor de Inovação, Tecnologia e Desenvolvimento Internacional da EDP Produção