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EDP antecipa fecho de centrais a carvão em Portugal e Espanha

Segunda-Feira 13, Julho 2020
Produção

Decisão enquadra-se na estratégia de descarbonização da EDP que envolve o fecho antecipado de centrais na Península Ibérica. Além de Sines, a empresa prepara o encerramento de outra central e a conversão de mais uma unidade em Espanha.

A EDP vai antecipar o encerramento das centrais a carvão na Península Ibérica, estando a preparar os respetivos pedidos para a central em Sines e para a unidade 3 de Soto de Ribera. Em Aboño, também em Espanha, está em curso um projeto de conversão da central, que prevê a substituição do carvão por gases siderúrgicos nos próximos anos. No caso da Central de Sines, foi entregue à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) esta terça-feira, 14 de julho, uma declaração de renúncia à licença de produção para que possa encerrar a sua atividade em janeiro de 2021.

A decisão – enquadrada na estratégia de descarbonização do grupo EDP – foi tomada num contexto em que a produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis. Além disso, com o crescente aumento do custo da produção a carvão e do preço das licenças de emissões de CO2, aliado a um agravamento da carga fiscal, e com a maior competitividade do gás natural, as perspetivas de viabilidade das centrais a carvão diminuíram drasticamente. Sinal disso mesmo é a atividade da Central de Sines, que está parada desde 25 de janeiro, após um ano em que a geração de energia elétrica a partir do carvão caiu cerca de 50% face a 2018.

Perante esta tendência, a EDP dá assim início ao processo de encerramento da maior central termoelétrica portuguesa (1180 MW de potência) ao fim de 35 anos em operação. A Central de Sines irá ainda vender em mercado a energia produzida pela queima do carvão que restar em stock – e só então avança com o descomissionamento e desmantelamento da central.

“No último ano, assistimos a uma inevitável redução das perspetivas de rentabilidade das centrais a carvão, com o aumento dos custos das emissões de CO2 e preços mais competitivos do gás natural”, explica Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo interino da EDP. “A decisão de antecipar o encerramento de centrais a carvão na Península Ibérica é assim uma consequência natural deste processo de transição energética, estando alinhada com as metas europeias de neutralidade carbónica e com a vontade política de antecipar esses prazos. Neste processo, em que as pessoas têm sido um aliado fundamental, a EDP garante ainda que irá cumprir os compromissos com todos os seus trabalhadores e colaborar na sua requalificação e integração profissional.”

Novos projetos alternativos ao carvão

A EDP está agora a avaliar em Sines o desenvolvimento de um projeto de produção de hidrogénio verde, em consórcio com outras empresas. Enquadrada num plano de interesse comum europeu e com potencial de exportação por via marítima, esta alternativa em estudo para a produção de uma fonte de energia limpa, pode representar um novo ciclo para a região e para a economia nacional.

Espera-se ainda que, através do Fundo para a Transição Justa, a região possa beneficiar de apoios que promovam a formação de profissionais especializados e criação de empregos qualificados na região. A EDP compromete-se também a cumprir todas as obrigações laborais com os 107 trabalhadores da central e a empenhar-se no sentido de que a região possa beneficiar dos apoios previstos no Fundo para a Transição Justa, no sentido de criar e reconverter o emprego naquela zona.

Além de Sines, o processo de encerramento das centrais a carvão na Península Ibérica – que se estima que represente um custo extraordinário de cerca de 100 milhões de euros em 2020 – envolve ainda a central a carvão de Soto de Ribera 3. Sem produzir energia há mais de um ano, esta central nas Astúrias (com 346 MW de potência) também irá solicitar o encerramento em 2021. Em alternativa, a EDP está a avaliar as melhores opções para desenvolver um inovador projeto de armazenamento de energia no mesmo espaço.

Na Central de Aboño, também na região das Astúrias, mantém-se o pedido de licenciamento anunciado em dezembro do ano passado, que prevê a conversão de carvão para gases siderúrgicos a partir de 2022. Esse processo envolve a modificação de um grupo com 342 MW de potência, mantendo-se um segundo grupo (de 562 MW) como apoio a indisponibilidades, contribuindo assim para uma economia mais circular.

A EDP continua a avaliar e a promover projetos alinhados com a transição energética em todas estas regiões onde se encontram centrais de produção a carvão. Os potenciais investimentos poderão ainda beneficiar do Fundo para a Transição Justa com o objetivo de ajudar as regiões a reconverter a sua economia, proteger o ambiente e promover postos de trabalho.

Todas estas decisões estão totalmente alinhadas com a própria ‘agenda verde’ definida pelo Governo português, através do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030) e com as metas europeias para a neutralidade carbónica - um compromisso que prevê, entre vários objetivos, a redução das emissões de gases causadores do efeito de estufa em, pelo menos, 40% até 2030. A EDP continua assim focada em liderar a transição energética com criação de valor, com um plano de investimentos focado em energias renováveis e no reforço das redes de eletricidade, estando firmemente comprometida com os seus objetivos de sustentabilidade para 2030: ter mais de 90% da produção com origem renovável e reduzir em 90% as emissões específicas de CO2 face a 2005.