histórias
Voluntariado EDP:

De pequenos gestos se escrevem grandes histórias. Estas são quatro muito especiais. Feitas de solidariedade.

Viajamos no tempo e regressamos a 2010. Em Portugal, o Papa Bento XVI conhecia Fátima, no cinema estreava “Comer, Orar, Amar” e a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo era aprovada.

No mesmo ano, nos escritórios da EDP, passavam inquéritos pelas secretárias dos colaboradores para perceber quem estaria disposto a começar um projeto de voluntariado. Vários responderam que sim. E desta forma dava os primeiros passos uma iniciativa que faz hoje parte inquestionável do ADN da EDP.

Dez anos passaram. Centenas de ações foram postas em prática por  colaboradores EDP que, todos os meses, podem dedicar quatro horas do seu horário laboral – disponibilizadas pela  empresa - para fazer do mundo, um lugar melhor.

Assim, a EDP tem deixado a sua marca nas mais diversas áreas de atuação como no combate à pobreza energética, na promoção de educação de qualidade, de energia limpa e acessível ou na sustentabilidade nas cidades e nas comunidades são algumas das áreas, para que desta forma possa contribuir para um mundo melhor não só com a energia, mas com tudo aquilo de que é feita: pessoas.

Contudo, o ano de 2020 trouxe o que em 2010 não se imaginava: uma pandemia que alterou a forma como trabalhamos e como nos relacionamos - e que obrigou a que várias ações de voluntariado EDP que exigiam presença física, como ações de voluntariado ambiental, tivessem de ser suspensas. Mas se, por um lado, foi preciso deixar em pausa algumas iniciativas, outras foram adaptadas e outras ainda viram a luz do dia - novos projetos de voluntariado para ajudar a melhorar contextos difíceis consequentes do vírus e combater desigualdades. Uma união feliz - como provam estas quatro histórias, partilhadas num encontro interno que mostrou como a tecnologia também veio complementar esta atuação mais humana - entre a energia das pessoas EDP e a tecnologia, contra a Covid-19.

Fablab: um laboratório secreto contra o Covid-19

Tal como o “Exterminador Implacável”, com o Skynet, e o “Resident Evil”, com o Umbrella, também a EDP tem um laboratório secreto que não serve para fabricar inteligência artificial nem armas biológicas, mas inovação.

Chama-se Fablab e tem como objetivo apoiar a construção de protótipos, de forma fácil, rápida e económica​. Contudo, tal como muitos portugueses, as pessoas deste laboratório foram enviadas para casa, em regime de teletrabalho.

No entanto, após alguns dias de montagem de equipamentos e de instalação de vários sistemas nas casas dos elementos desta equipa, chegou uma ordem em contrário: está na hora de regressarem ao pequeno laboratório para ajudarem na luta contra a pandemia que assolou o mundo.

Catorze voluntários da EDP, de outras empresas, juntaram-se no Fablab e, através do uso de impressoras 3D, fizeram nascer mais de três mil viseiras de proteção para as pessoas que trabalham na linha da frente do combate à Covid-19, tal como contou Jorge Dinis

Viseiras

Amizade em linha: um telefone que toca e a história da Dona Manuela

A EDP há muito que promove uma ação de voluntariado presencial para dar alento a pessoas que vivem isoladas, como idosos que não têm família e sem-abrigo que vivem nas ruas e que, por vezes, não ouvem a sua própria voz por não terem sequer com quem a partilhar. Nestes casos, a solidariedade faz-se em forma de conversas, horas a fio para reconfortar o coração de quem mais precisa.

Com o surto de Covid-19, estes dois grupos viram a sua solidão agudizar-se, juntamente com outras necessidades, o que levou esta iniciativa a adaptar-se, como explicou o gestor da Serve The City – uma instituição de voluntariado que atua nas temáticas da exclusão, das pessoas sem-abrigo, da pessoa idosa isolada, das crianças e jovens em situações de maior vulnerabilidade, entre outros grupos de risco - Alfredo Abreu: “A dificuldade, com o confinamento social, foi deixarmos de ter acesso a estas pessoas. Sobretudo aos idosos porque não queríamos correr o risco de carregar a morte connosco, no sentido em que podíamos levar algum tipo de contágio. Com as pessoas sem-abrigo, também lhes foi pedido que saíssem da rua; alguns ficaram num quarto temporário, outros ficaram em centros de acolhimento de emergência. Ambas as situações continuaram sem ter pessoas com quem falar. De forma a combater este problema, criámos a iniciativa de voluntariado chamada: Amizade em Linha”.

Assim, em vez do encontro presencial, mais de 20 voluntários estão agora a manter contacto regular com pessoas isoladas, através de um telefone ou internet. Como com a Dona Manuela, de 82 anos.

Perdeu a família muito cedo e, desde então, vive sozinha acompanhada apenas por uma deficiência física. Com um vírus a tomar contas das ruas, viveu duas semanas em sufoco até se lembrar que tinha um número gravado no telemóvel de alguém com quem podia desabafar. Carregou no número de Alfredo Abreu e, quando este atendeu, chorou. Chorou de ansiedade, medo, solidão, mas sobretudo por finalmente conseguir falar com alguém conhecido. “Tenho 82 anos de idade e não me lembro de ter passado por tanta solidão na minha vida. Não tenho saldo no telefone para ligar a alguém e pedi ajuda para me trazerem alimentos. Eles batem à porta, mas como eu tenho uma deficiência, tenho de me arrastar até à porta e quando chego lá, já não encontro ninguém”, disse a Alfredo.

Após essa chamada, três voluntários ficaram encarregues de ligar de forma frequente à Dona Manuela, que confessou secretamente a um deles que os seus 82 anos, são agora vividos como se fossem os seus 32.

Ao mesmo tempo que conversam, os voluntários compõem um relatório onde contam como correu a conversa e sinalizam situações de risco, como fome, pobreza e depressão.

Para todos os casos, o projeto Amizade em Linha arranja solução para tornar a vida um pouco mais fácil e feliz às pessoas sinalizadas. Para as que sofrem de depressão severa, é-lhes facultado um psicólogo e, para quem necessita de alimentos, o voluntário entra em contacto com a Junta de Freguesia ou com o Banco Alimentar. 

Estuda com Energia: o poder da educação

Maio é o mês da energia. Ou seja, é mês de festa para a EDP. E este ano é ainda mais especial.

Nasceu o projeto Estuda com Energia, como uma resposta de emergência a muitas crianças que precisam de computadores e de ajuda para as aulas à distância.

Desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação, este projeto procura dar resposta a estas duas frentes: por um lado, na doação de computadores; por outro, com mentoria e apoio em estudo acompanhado.

Em primeiro lugar, vários voluntários percorreram o edifício da EDP à procura de computadores que pudessem ser doados. No final, entre doar e recuperar, a nível ibérico, mais de 500 computadores chegaram às casas de quem mais precisava, com a ajuda do StudentKeep, em Portugal – que faz a ponte entre esta ação e as escolas.

Na outra frente deste projeto ibérico, promovida em conjunto pela Fundación EDP (EDP Espanha) e Programa de Voluntariado EDP, voluntários EDP dispõem-se a ajudar alunos, identificados pelo Ministério da Educação em Portugal e nas Astúrias, assumindo um papel de mentores e apoiando nas tarefas escolares. Paralelamente, através de parcerias, contamos ainda com explicações de professores voluntários do Teachers4Covid.

Voluntária

Kit Energia: da sala de aula para a sala de casa

Desde há três anos que a EDP vive numa relação feliz e criativa com as escolas do país. Dela nasceu o projeto Kit Energia, composto por abordagens interativas sobre energia que são levadas para as salas de aulas.

Realidade virtual, histórias infantis, jogos e banda desenhada são alguns exemplos de atividades que não só entusiasmavam as crianças como também lhes elucidavam para temas como energias renováveis, sustentabilidade e muitas outras. Face aos tempos atuais, os voluntariados viram-se perante um problema: como podem continuar a promover esta iniciativa sem a sua presença em sala de aula? Tiago Matos, fundador da IWAYS – empresa que desenha no papel e arranja formas criativas de comunicar projetos conscientes de sustentabilidade - explicou como: “As atividades baseadas em materiais físicos foram suspensas. Não era possível fazer com que esses materiais chegassem a todas as casas ou a todas as escolas. Tivemos, então, de transformar todas estas experiência em jogos digitais ou em dinâmicas por teleconferência”.

Contudo, um voluntário numa conferência com vinte alunos não era viável e, por isso, era necessária outra adaptação. Assim, foram criadas atividades que não só são possíveis de serem divididas em grupos mais pequenos, para o voluntário ter um contacto mais próximo das crianças, como também de serem entregues aos pais ou irmãos mais velhos para que estes ensinem os mais novos, no conforto de casa.

Histórias, canções, desenhos para colorir, jogos das cartas de energia e escape games digitais com três níveis diferentes são algumas das atividades do Kit Energia, que vão ajudar a manter a energia em alta. Independentemente da pandemia.